terça-feira, 15 de maio de 2007

Ciência: Milagre? Mistério? Autoridade?

Actualmente, para a grande massa da humanidade, a ciência e a tecnologia encarnam "o milagre, o mistério e a autoridade". A ciência promete que as mais antigas fantasias humanas serão finalmente realizadas. Será posto fim à doença e ao envelhecimento; deixarão de existir a escassez e a pobreza; a espécie tornar-se-á imortal. Como o cristianismo em épocas passadas, o culto moderno da ciência assenta na esperança do milagre. Mas acreditar que a ciência pode transformar a sorte humana significa acreditar na magia. O tempo riposta às ilusões do humanismo com a própria realidade: a humanidade é frágil, desconjuntada, não-livre. Até mesmo quando permite que a pobreza diminua e que a doença seja aliviada, a ciência continua a ser usada para aperfeiçoar a tirania e requintar a arte da guerra.


John Gray, Sobre Humanos e outros Animais, Lua de papel, p.111

2 comentários:

Unknown disse...

Primeiro que tudo, os cientistas seguem o que se apelida de método científico, radicado na obra de duas luminárias do início do século XVII, Descartes e Galileu. Para Descartes, o mundo físico seria compreendido através da análise exaustiva de cada observação, sendo a verdade aquilo que não fosse negado por um processo contínuo de dúvida; Galileu juntou-lhe a necessidade de efectuar medições para ajudar ao processo de observação (por alguma razão se dá importância à objectividade, isto é, centrar a observação no objecto), assim aplanando muito do caminho empreendido no processo de dúvida. A palavra-chave para os cientistas é a verificação: só é incorporado como Ciência aquilo que, neste mundo em que vivemos, pode observar-se independentemente de quem é o observador.
A dúvida e a medição são as defesas dos cientistas face à tendência natural do ser humano em simpatizar e, com isso, aceitar como verdadeiro. Mas, se trouxeram à Ciência um método que lhe permite avançar com segurança, também é verdade que acarretaram enormes limitações; por isso os cientistas são possuidores de apenas uma fracção do conhecimento, o qual está permanentemente sujeito a ser revisto por novas observações que trazem dúvidas -- é esse o preço que se paga por tentar seguir um caminho com mais certezas. Dirá o António que nem todos os cientistas mostram ter consciência disso, ou que pelo menos não se comportam em conformidade. Eu respondo que praticamente todos têm essa consciência; se muitos ousam dizer aquilo que não sabem, ou negar aquilo que apenas não gostam, é lamentável, mas humano. A urgência que o mundo tem por respostas é apenas um dos factores que levam a isso.
Imagine que o conhecimento do mundo físico seria uma pirâmide, tão grande que (metaforicamente) tocaria o Céu. Face a isso, a Ciência de hoje não passa duma constelação de pequenas pirâmides que cobrem apenas uma parte da área de todo o conhecimento, e todas elas inacabadas. Cada uma delas é uma "disciplina", e em cada geração de estudantes dá-se-lhes a conhecer a base para depois poderem acrescentar-lhe alguma coisa no topo, se continuarem o seu estudo. Para quem está no topo duma pirâmide, abarcar várias disciplinas devia ser necessidade evidente, até porque a síntese entre pirâmides produz uma pirâmide que pode subir mais, mas juntá-las entre si numa base comum raramente é conseguido (Charles Darwin, na Biologia, é um raro exemplo); por isso, é muito mais frequente o crescimento de cada pirâmide levar, mais tarde ou mais cedo, à sua fragmentação em várias (fenómeno que por vezes apelidam de "reducionismo"), cada uma delas com uma base mais pequena (mais à escala humana...?).
Não admira que o próprio Descartes se apercebesse da monumentalidade do esforço científico no seu todo, e se sentisse a gerar uma utopia.
Os cientistas sabem que estão sujeitos a muita incompreensão; sabem igualmente que a preciosa segurança que têm nos conhecimentos, que vêm sendo conquistados ao longo de gerações, se funda num método fastidioso que obriga a imensos sacrifícios, mas que há uma recompensa no enriquecimento que trazem à Humanidade aos mais diversos níveis. E às vezes sabem que esses conhecimentos são muito limitados.

Tiago Pereira

Anónimo disse...

a ciencia debate-se com muitos problemas sim lembro-me particularmente da historia da colonagem de celulas/orgaos humanos para curas de doenças modernas como a diabetes...sida...cancro....entre outras onde a religiao opos-se logo com algo que sinceramente nao faz la muito sentido. sendo um orgao colonado por exemplo qual o sofrimento que a vida vai ter? certamente zero. para variar tiveram que levantar polemica da vida que se perdia...entre outros argumentos injustos. o certo e que foi logo contornado pela etica. sera que a religiao por exemplo tem o direito de condicionar o desenvolvimento da ciencia tentando esta ajudar na cura dos mesmos problemas? quem diz estes diz outros mais mas este marcou principalmente pois se a ciencia tinha meios para começar a combater doenças e que fica presa/impedida ou mesmo estagnada a espera da concordancia de uma entidade que nao se adapta as novas exigencias na maioria dos casos